Inconstância
o titulo deste texto não faz uma quantidade enorme de sentido quando comparado a ele. A minha idéia era tirar uma palavra aleatória do do dicionário e fazer um texto com ela como tema e título mas aí a história acabou fugindo do que eu tinha planejado pra ela, meio safada eu sei, mas não ia punir ela fazendo-a mudar de nome só por causa disso. Outra coisa que quando chegou no meio dela e eu pensei que só faltava um paragrafo pra que ela terminasse, eu pensei em como ela poderia fugir ainda mais do que eu estava pensando, e dar numa estória realmente grande, mas como eu queria terminar hoje eu escrevi mais uns 4 parágrafos e terminei do jeito que era pra ela terminar quando estava no meio dela, o que era bem diferente de como era pra ela terminar no inicio dela. e algum dia, eu espero eu mudo ela para terminar do jeito que eu ela realmente devia ser. Por enquanto, taí:
Ps: eu postei isso do jeito que estava quando terminei de escrever, logo não fiz nenhuma revisão e deve ter bastante erro...
Seus olhos divagavam pelo teto. Indo de um lado para o outro como se estivesse varrendo-o com seu olhar. A pintura era lisa e o teto era de um branco completamente uniforme. Ele parou para tentar lembrar a quanto tempo morou ali, a quanto tempo o teto tinha sido pintado, e como era fantástico que ele continuava impecável.
Terminando de varrer os tetos com o os olhos e orgulhoso do trabalho que tinha feito, pois apesar de não haver a mais vaga lembrança de ter pintado o teto em si, tinha certeza que fora ele quem o pintara, chegou a uma conclusão um tanto assustadora. E seus olhos dançavam em suas órbitas enquanto sua mente procurava uma resposta, uma memória, um documento antigo, que assim como a pintura do teto, não estava-la por mais certo que ele estivesse de que aquilo existia.
Ele sabia que não fora nessa casa em que ele nasceu. Foi em uma pequena clinica em um cidade pequena a cerca de
Apesar de saber que morou naquela cidade por algum tempo. Não fazia a mais remota idéia de quando se mudou para o apartamento a qual pertence o teto que ele observava. Era como se essa informação tivesse simplesmente abandonado sua memória. A mudança havia pegado suas coisas, sua data, seus detalhes e tudo relacionado a ela, e tivesse se mudado também, para fora da cabeça do homem.
O homem sempre se orgulhara de sua memória, era invejado por muitos. Seus amigos se impressionavam quando ele recontava o momento em que eles se conheceram com exato dialogo. Sua incrível memória fez com que sempre fosse um excelente aluno de forma que raramente precisava ler qualquer coisa duas vezes, e mesmo quando não tinha entendido o que tinha lido bastava rever as palavras em sua mente que rapidamente tudo ficava claro. Sendo ótimo aluno teve uma vida prospera como pesquisador e teve uma carreira estupenda.
Tirando os olhos do teto olhou a sua volta e olhava para cada objeto lembrando de sua história. Olhou para a sua lâmpada na mesa de cabeceira e sabia exatamente quanto ela tinha custado quando a comprou 30 anos atrás em um mercado no centro. Olhou para os livros em sua prateleira e se lembrou exatamente onde estava quando havia lido a ultima pagina de cada um deles. E olhou para a gaveta de sua escrivaninha e sabia que havia uma agulha ali que ele havia usado para remendar um rasgo em sua gravata que havia percebido no ultimo minuto antes de ir para uma comemoração de entrega de prêmios literários que ele nem mesmo ganhou.
Mas quando chegou no momento do chão, do teto, das paredes e da porta lhe dava um branco. E o sentimento que ele tinha de ter perdido essa memória tão significativa era de uma tristeza profunda. Sentia como se tivesse sofrido um roubo, tinha sido assaltado de forma violentíssima em sua própria mente, e não houve nada que ele pudesse fazer, de forma que nem percebeu que o assalto estava em andamento nem quando. Pensou em si mesmo como um violonista que está perdendo o movimento dos dedos e vai perder aquilo que deu toda a sua vida sentido. Agora em pouco tempo ele pudesse ser um inválido.
O homem tinha em consciência que o fato em si não poderia ter sumido, logicamente havia evidencias. Certamente alguém saberia. O problema é que ele não sabia quando se mudou, não tendo a menor idéia se foi em sua infância ou em sua meia idade, mas tendo forte convicção que tinha sido antes de sua velhice. Teria de perguntar a pessoa que o conhecia há mais tempo, mas seus pais já haviam morrido e ele era filho único. O homem acumulou uma grande quantidade de amigos em sua longa vida, a maioria deles ainda vivos apesar de muitos serem ainda mais velhos. Porem suas amizades funcionavam de forma circular, variando sempre com o assunto que estava estudando no momento, historiadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, literários de tal forma que era difícil de pensar em alguém que fosse constante a sua vida. Também havia tido sua boa parte de amores que não eram tão circulares quanto, inclusive intercalando períodos de estudo obsessivo o que era sempre o motivo pelo fim do relacionamento. A vergonha de ter de confessar que havia esquecido de algo tão básico para tantas pessoas fez com que ele considerasse outros métodos investigativos.
Não seria tão difícil, afinal ele já havia publicado mais de três livros relacionados a historia e estava bem acostumado a desvendar o passado. Encarando o problema como um dos muitos objetos que já havia estudado foi ao seu escritório para procurar a documentação do apartamento. Na terceira gaveta de sua escrivaninha estavam arquivados todos seus documentos. Ele os folheou um a um sabendo exatamente em que ordem eles estariam sem nunca chegar na escritura do apartamento. Foi uma surpresa muito peculiar quando ele olhou o ultimo documento pois sabia que era aquele o ultimo documento e sabia que eles estavam na ordem correta e que nenhum estava faltando, mas mesmo assim não encontrou nada relacionado ao seu apartamento. Em seguida ele faz algo que não fez a muito tempo, duvidar dele mesmo. * Ele olhou todos os documentos de novo com muita atenção e não achou nenhum que fosse relacionado ao seu apartamento.
Desespero tomou conta do homem. O que começou como uma simples peculiaridade havia se tornado num caso de vida ou morte para. Nunca havia visto tal coisa. Se sentia como se estivesse olhando para baixo sem ver chão, no entanto ele não caia, não fazia sentido algum. Sua memória nunca o havia falhado e seu arquivamento era meticuloso e perfeito. Ele sai de casa correndo sem nem se dar ao trabalho de se vestir ou se calçar. Na rua todos olham assustados pra um homem de idade correndo descalço e de pijama pelas calçadas ignorando todos por seu caminho. Ele chega no cartório abrindo a porta agressivamente ele para por um momento e vare o local com os olhos, e todos lá dentro estão olhando para ele, seu desespero esta explicito em sua aparência, especialmente em seu rosto coberto de suor e sua boca caída respirando desesperadamente deixando finos fios de baba cair ocasionalmente. Até os idosos da fila preferencial deixam-no passar sua frente. Ele mancou até o balcão pois agora que tinha parado a adrenalina havia baixado e seu frágil corpo velho e cansado mal se agüentava
Ele saiu do cartório com os pés se arrastando do chão com a cabeça baixa se sentindo como um homem vazio. Olhou para frente com um olhar de desdém e não se impressionou quando percebeu que também não sabia chegar em casa.
