texto novo
na verdade eu nem terminei queria revisar pelo menos mais um vez antes de dar pra qualquer pessoa ler, mas ai eu pensei, foda-se, vai ficar assim mesmo.
O homem com caderno de baixo do braço
Com o caderno de baixo do braço ele andava calmamente pela rua para um lugar onde poucos vão e muitos ficam. Uma pequena praça no centro da cidade. Abandonada. De noite o lugar era dominado por sombras. Todos os postes estavam com as lâmpadas estouradas, transformando o lugar em um ótimo esconderijo para os que querem se esconder do resto da cidade.
Sentado em um banco parcialmente quebrado localizado no centro da praça. Chega cedo enquanto tudo estava calmo. Antes dos raios do sol salvarem a praça da escuridão total. Com um olhar vazio privado de objetivo ele tira dos bolsos uma laranja, um ovo cozido e um canivete. Lentamente ele descasca a laranja e a come seguida pelo ovo. Seu olhar continua vazio.
Quieto em seu banco. O Banco em que ele se senta toda manha. O homem observa tudo que acontece. Os mendigos saem de baixo de seus carrinhos e os empurram para a rua. Meninos pulam de um lado pro outro a brincam em conjunto. Nenhum deles possui família. Eles se reúnem em rodas dividem drogas e ficam deitados no chão olhando para o céu. Passam dois homens conversando. Um deles possui o rosto coberto de feridas. O outro está contando que na noite anterior conseguiu roubar cinco carteiras.
Todos ignoravam o homem, sabiam que ele estava lá toda manha. Ele abriu seu caderno e começou a desenhar. Um trecho do chão da praça. Um pequeno caminho de terra com grama nascendo dos lados. Não desenhou as crianças que estavam por ali. Só a terra, a grama e alguns galhos e folhas que estavam espalhados pelo chão. Sua técnica era boa e seus desenhos realistas, mas não possuía nenhum talento artístico real. Às oito ele se levantou de seu banco ao trabalho. E isso acontecia quase todos os dias nos últimos sete anos de sua vida.
Gilson chegou do trabalho na mesma hora de sempre. Sua mulher estava deitada no sofá assistindo à novela. Ele ficou em pé por um tempo. Assistiu a um pequeno trecho da novela. Era uma cena de romance. Sua mulher permanecia deitada ocupando o sofá inteiro sem deixar lugar para o marido se sentar. Continuou de pé até o final da cena. Quando começou os comercias, se dirigiu à cozinha. Ele bebe um copo d’água e fica sentado sozinho na cozinha por um tempo. Pensa em seu casamento, no que ele se tornou.
Há sete anos sua relação era sistemática: todo dia quando chegavam em casa contavam seu dia um ao outro, jantavam juntos, em silencio, viam um pouco de televisão e dormiam. Nas noites em que exibia uma cena de amor na novela eles transavam antes de dormir. Transavam em silencio, sistematicamente, como o resto do relacionamento.
Há um mês atrás isso mudou. Gilson chegou do trabalho para uma casa vazia. Ele seguiu sua rotina. Pensou em seu dia. Jantou sozinho em silencio (lógico). Assistiu a um pequeno trecho do jornal e se deitou sem se preocupar com sua mulher, que já devia ter chegado a mais de três horas. Ele dormiu rápido.
Mônica chegou em casa tarde. Já se passava de meia noite. Ela foi direto pra cama e se deitou com seu marido. O abraçou de forma calorosa e gentil. De forma que não fazia há anos. O acordou, e deu um beijo em sua bochecha. Quando ele abriu os olhos mostrando que estava acordado ela deu-lhe outro beijo, desta vez nos lábios. Seus olhos voltaram a se fechar. Não era um beijo simples, sistemático. Era um beijo quente, como o de um casal de namorados. Os dois fizeram amor, um amor quente, amoroso, cheio de carinho e caricias. Depois ela se deitou de costas para o seu marido, e chorou em silencio até dormir. Gilson não entendeu o que tinha acontecido, mas novamente dormiu rápido e com um sorriso no rosto, ignorante ao choro silencioso de sua mulher.
Foi só na manha seguinte enquanto comia seu ovo que percebeu o que havia acontecido. Se lembrou que sua mulher havia posto perfume antes de ir trabalhar, e por mais que estranhasse o fato, foi só na praça que compreendeu os eventos da noite anterior. Havia chegado a conclusão de que sua mulher havia transado com alguém do trabalho. Comeu sua laranja. Abriu o caderno e pegou seu lápis. Começou a desenhar. Fez um esboço de toda a praça onde estava. Depois sobre o esboço desenhou todos que ali estavam. Não os desenhou como estavam, mas como se estivessem todos mortos com seus cadáveres apodrecendo. Espalhou cachorros, corvos e urubus pela praça, devorando os restos dos corpos. No centro da praça onde devia estar seu banco quebrado desenhou uma grande forca. Pendurado nela pôs a si mesmo. Depois reforçou todos os traços e fixou o fundo da praça que ainda estava esboçado. Fechou seu caderno e foi trabalhar com o ovo ainda no bolso.
De noite, quando chegou sua casa estava vazia novamente. Sentou no sofá e ficou esperando sua esposa. Ficou três horas parado. Olhando para seu reflexo na televisão desligada. A porta se abriu. A mulher estranhou o marido acordado sentado no sofá. Ele agarrou a esposa com força. Levou-a até o quarto. Jogou-a na cama. Deu um tapa no rosto da mulher. Arrancou a roupa dos dois. A mulher em silencio, sem se debater muito, apenas evitava olhar pro marido. Começou como algo semelhante a um estupro. Mas logo a mulher envolvida pela fúria do marido começou a gritar. Seus corpos se fundiam num momento de pura luxuria. Fuderam de forma louca e intensa. Os dois dormiram abraçados um ao outro.
Gilson acorda no meio da noite. Olha para seu relógio e vê que ainda falta muito para a hora de sair. Mesmo assim ele vai até a cozinha. Estava com fome. Mônica acorda com o barulho da porta da cozinha. Se levanta. Segue o marido até a cozinha. Os dois se sentam um ao lado do outro e conversam pequenas inutilidades da vida.
A partir deste dia sempre que Mônica chegava em casa tarde os dois fudiam loucamente.
Gilson acorda em sua cama vazia. No caminho para a cozinha, repara que a televisão esta ligada. Sua esposa está deitada no sofá. Seu rosto mostra que ela não dormiu nada. Ele dá bom dia. Ela não reage. Ele toma um café em silencio. Volta para o seu quarto. Se arruma. Pega seu ovo e a laranja e sai de casa deixando seu caderno de desenhos aberto no desenho dele enforcado no meio da praça.
A ultima vez em que Mônica havia chegado em casa tarde ela não havia gritado de prazer, ela chorou até o amanhecer, Gilson, tomado pelo prazer e pelo tesão, não reparou até gozar. Quando perguntou o que houve ela o empurrou de cima dela e foi se deitar no sofá. O homem sentou-se na beira da cama sentindo raiva consigo mesmo por não ter percebido o estado em que a mulher estava. Mas não havia como ter reparado, no momento em que ela abriu a porta ele estava preparado para o bote e selvagemmente levou-a para o quarto e possuiu-a antes que pudesse oferecer qualquer reação. Ela simplesmente deitou e chorou.
Quando parou pra pensar no porque do estado da mulher a resposta veio rápida. O amante havia terminado o caso. Envergonhado pela forma como havia tratado sua esposa o homem dormiu sozinho no quarto e não falou mais com a mulher. De qualquer forma, qualquer tentativa seria respondida com silencio.
Gilson sentou em seu banco, em sua praça como fazia em qualquer outro dia, comeu seu ovo e sua laranja. O movimento na praça crescia e enquanto os mendigos saíam alguns percebiam que o homem estava sem seu caderno. Nenhum deles ousariam dizer nada. Permaneceu sentado ali pelo resto da manha. Por toda a tarde. Certo tempo depois de escurecer deitou-se no banco. Ele nunca mais voltou para casa.
Mônica não passou 24 horas vendo televisão como o marido havia pensado. Mas era o mais perto disso possível, só se levantou para ir ao banheiro e uma vez pra comer uma fatia de pão com manteiga.
Mônica olhou para a janela e percebeu que havia amanhecido. Percebeu algo estranho. Seu marido não havia voltado. Se levantou e foi para o quarto. Lá em cima da cama viu o caderno do marido. Olhou ao desenho e quando percebeu que no centro estava seu marido enforcado. A primeira idéia que veio a sua cabeça era que seu marido havia se matado. Explodiu em lagrimas. Abraçou o caderno. Quando o afastou a única coisa que não estava borrada pelas lagrimas era o rosto de seu esposo. Essa coincidência ela viu como um sinal.
O caso dela havia salvado o seu casamento, de uma forma que nem ela conseguia compreender e a depressão dela fizera com que o marido se matasse. Andou calmamente até a o banheiro e socou o espelho que se partiu em dezenas de pedaços, um caco grande havia caído dentro da pia. Através dela a mulher observava um lagrima que percorria por sua face. Quando a lagrima finalmente pingou de seu queixo a mulher pôs a ponta do espelho contra seu pulso e abriu suas veias. O sangue saía rapidamente. Logo a mulher parou de respirar.
Gilson não mendigou para sobreviver fora de casa simplesmente continuou deitado em seu banco, de olhos fechados, quando quase uma semana depois finalmente tiraram-no de lá, ele já não se mexia mais.
O homem com caderno de baixo do braço
Com o caderno de baixo do braço ele andava calmamente pela rua para um lugar onde poucos vão e muitos ficam. Uma pequena praça no centro da cidade. Abandonada. De noite o lugar era dominado por sombras. Todos os postes estavam com as lâmpadas estouradas, transformando o lugar em um ótimo esconderijo para os que querem se esconder do resto da cidade.
Sentado em um banco parcialmente quebrado localizado no centro da praça. Chega cedo enquanto tudo estava calmo. Antes dos raios do sol salvarem a praça da escuridão total. Com um olhar vazio privado de objetivo ele tira dos bolsos uma laranja, um ovo cozido e um canivete. Lentamente ele descasca a laranja e a come seguida pelo ovo. Seu olhar continua vazio.
Quieto em seu banco. O Banco em que ele se senta toda manha. O homem observa tudo que acontece. Os mendigos saem de baixo de seus carrinhos e os empurram para a rua. Meninos pulam de um lado pro outro a brincam em conjunto. Nenhum deles possui família. Eles se reúnem em rodas dividem drogas e ficam deitados no chão olhando para o céu. Passam dois homens conversando. Um deles possui o rosto coberto de feridas. O outro está contando que na noite anterior conseguiu roubar cinco carteiras.
Todos ignoravam o homem, sabiam que ele estava lá toda manha. Ele abriu seu caderno e começou a desenhar. Um trecho do chão da praça. Um pequeno caminho de terra com grama nascendo dos lados. Não desenhou as crianças que estavam por ali. Só a terra, a grama e alguns galhos e folhas que estavam espalhados pelo chão. Sua técnica era boa e seus desenhos realistas, mas não possuía nenhum talento artístico real. Às oito ele se levantou de seu banco ao trabalho. E isso acontecia quase todos os dias nos últimos sete anos de sua vida.
Gilson chegou do trabalho na mesma hora de sempre. Sua mulher estava deitada no sofá assistindo à novela. Ele ficou em pé por um tempo. Assistiu a um pequeno trecho da novela. Era uma cena de romance. Sua mulher permanecia deitada ocupando o sofá inteiro sem deixar lugar para o marido se sentar. Continuou de pé até o final da cena. Quando começou os comercias, se dirigiu à cozinha. Ele bebe um copo d’água e fica sentado sozinho na cozinha por um tempo. Pensa em seu casamento, no que ele se tornou.
Há sete anos sua relação era sistemática: todo dia quando chegavam em casa contavam seu dia um ao outro, jantavam juntos, em silencio, viam um pouco de televisão e dormiam. Nas noites em que exibia uma cena de amor na novela eles transavam antes de dormir. Transavam em silencio, sistematicamente, como o resto do relacionamento.
Há um mês atrás isso mudou. Gilson chegou do trabalho para uma casa vazia. Ele seguiu sua rotina. Pensou em seu dia. Jantou sozinho em silencio (lógico). Assistiu a um pequeno trecho do jornal e se deitou sem se preocupar com sua mulher, que já devia ter chegado a mais de três horas. Ele dormiu rápido.
Mônica chegou em casa tarde. Já se passava de meia noite. Ela foi direto pra cama e se deitou com seu marido. O abraçou de forma calorosa e gentil. De forma que não fazia há anos. O acordou, e deu um beijo em sua bochecha. Quando ele abriu os olhos mostrando que estava acordado ela deu-lhe outro beijo, desta vez nos lábios. Seus olhos voltaram a se fechar. Não era um beijo simples, sistemático. Era um beijo quente, como o de um casal de namorados. Os dois fizeram amor, um amor quente, amoroso, cheio de carinho e caricias. Depois ela se deitou de costas para o seu marido, e chorou em silencio até dormir. Gilson não entendeu o que tinha acontecido, mas novamente dormiu rápido e com um sorriso no rosto, ignorante ao choro silencioso de sua mulher.
Foi só na manha seguinte enquanto comia seu ovo que percebeu o que havia acontecido. Se lembrou que sua mulher havia posto perfume antes de ir trabalhar, e por mais que estranhasse o fato, foi só na praça que compreendeu os eventos da noite anterior. Havia chegado a conclusão de que sua mulher havia transado com alguém do trabalho. Comeu sua laranja. Abriu o caderno e pegou seu lápis. Começou a desenhar. Fez um esboço de toda a praça onde estava. Depois sobre o esboço desenhou todos que ali estavam. Não os desenhou como estavam, mas como se estivessem todos mortos com seus cadáveres apodrecendo. Espalhou cachorros, corvos e urubus pela praça, devorando os restos dos corpos. No centro da praça onde devia estar seu banco quebrado desenhou uma grande forca. Pendurado nela pôs a si mesmo. Depois reforçou todos os traços e fixou o fundo da praça que ainda estava esboçado. Fechou seu caderno e foi trabalhar com o ovo ainda no bolso.
De noite, quando chegou sua casa estava vazia novamente. Sentou no sofá e ficou esperando sua esposa. Ficou três horas parado. Olhando para seu reflexo na televisão desligada. A porta se abriu. A mulher estranhou o marido acordado sentado no sofá. Ele agarrou a esposa com força. Levou-a até o quarto. Jogou-a na cama. Deu um tapa no rosto da mulher. Arrancou a roupa dos dois. A mulher em silencio, sem se debater muito, apenas evitava olhar pro marido. Começou como algo semelhante a um estupro. Mas logo a mulher envolvida pela fúria do marido começou a gritar. Seus corpos se fundiam num momento de pura luxuria. Fuderam de forma louca e intensa. Os dois dormiram abraçados um ao outro.
Gilson acorda no meio da noite. Olha para seu relógio e vê que ainda falta muito para a hora de sair. Mesmo assim ele vai até a cozinha. Estava com fome. Mônica acorda com o barulho da porta da cozinha. Se levanta. Segue o marido até a cozinha. Os dois se sentam um ao lado do outro e conversam pequenas inutilidades da vida.
A partir deste dia sempre que Mônica chegava em casa tarde os dois fudiam loucamente.
Gilson acorda em sua cama vazia. No caminho para a cozinha, repara que a televisão esta ligada. Sua esposa está deitada no sofá. Seu rosto mostra que ela não dormiu nada. Ele dá bom dia. Ela não reage. Ele toma um café em silencio. Volta para o seu quarto. Se arruma. Pega seu ovo e a laranja e sai de casa deixando seu caderno de desenhos aberto no desenho dele enforcado no meio da praça.
A ultima vez em que Mônica havia chegado em casa tarde ela não havia gritado de prazer, ela chorou até o amanhecer, Gilson, tomado pelo prazer e pelo tesão, não reparou até gozar. Quando perguntou o que houve ela o empurrou de cima dela e foi se deitar no sofá. O homem sentou-se na beira da cama sentindo raiva consigo mesmo por não ter percebido o estado em que a mulher estava. Mas não havia como ter reparado, no momento em que ela abriu a porta ele estava preparado para o bote e selvagemmente levou-a para o quarto e possuiu-a antes que pudesse oferecer qualquer reação. Ela simplesmente deitou e chorou.
Quando parou pra pensar no porque do estado da mulher a resposta veio rápida. O amante havia terminado o caso. Envergonhado pela forma como havia tratado sua esposa o homem dormiu sozinho no quarto e não falou mais com a mulher. De qualquer forma, qualquer tentativa seria respondida com silencio.
Gilson sentou em seu banco, em sua praça como fazia em qualquer outro dia, comeu seu ovo e sua laranja. O movimento na praça crescia e enquanto os mendigos saíam alguns percebiam que o homem estava sem seu caderno. Nenhum deles ousariam dizer nada. Permaneceu sentado ali pelo resto da manha. Por toda a tarde. Certo tempo depois de escurecer deitou-se no banco. Ele nunca mais voltou para casa.
Mônica não passou 24 horas vendo televisão como o marido havia pensado. Mas era o mais perto disso possível, só se levantou para ir ao banheiro e uma vez pra comer uma fatia de pão com manteiga.
Mônica olhou para a janela e percebeu que havia amanhecido. Percebeu algo estranho. Seu marido não havia voltado. Se levantou e foi para o quarto. Lá em cima da cama viu o caderno do marido. Olhou ao desenho e quando percebeu que no centro estava seu marido enforcado. A primeira idéia que veio a sua cabeça era que seu marido havia se matado. Explodiu em lagrimas. Abraçou o caderno. Quando o afastou a única coisa que não estava borrada pelas lagrimas era o rosto de seu esposo. Essa coincidência ela viu como um sinal.
O caso dela havia salvado o seu casamento, de uma forma que nem ela conseguia compreender e a depressão dela fizera com que o marido se matasse. Andou calmamente até a o banheiro e socou o espelho que se partiu em dezenas de pedaços, um caco grande havia caído dentro da pia. Através dela a mulher observava um lagrima que percorria por sua face. Quando a lagrima finalmente pingou de seu queixo a mulher pôs a ponta do espelho contra seu pulso e abriu suas veias. O sangue saía rapidamente. Logo a mulher parou de respirar.
Gilson não mendigou para sobreviver fora de casa simplesmente continuou deitado em seu banco, de olhos fechados, quando quase uma semana depois finalmente tiraram-no de lá, ele já não se mexia mais.

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial