14.8.05

O corredor

Havia um pequeno menino em pé em um corredor escuro, imóvel. As sombras se espalhavam pelo corredor de forma que pareciam ser absorvidas pelos olhos do menino, dos olhos entravam em sua cabeça. Olhando pra frente onde deveria estar o corredor de sua casa onde morou ha anos estava um buraco negro que o menino nunca imaginou que pudesse estar ali. Lentamente o menino pôs um pé à frente. Na sua cabeça sua ação parecia errado mas seu corpo sentia que era certa. Como se o passo estivesse ali o tempo todo esperando para ser andado. O medo e a insegurança não foram embora, no pequeno passo que ele deu a frente, havia encolhido. Estava praticamente um centímetro mais baixo. Mas isso não o impediu. Seguiu o passo com outros passos, superando o medo por algo que seu corpo parecia querer fazer involuntariamente. Para seu desespero seu tamanho continuava a diminuir. Não demorou que sua roupa ficasse larga nele. Apavorado, continuou seguindo pelo caminho escuro. Quando chegou à porta já estava a quase metade de seu tamanho. Sua bermuda havia caído ao chão e sua camisa se segurava por apenas um ombro. As batidas aceleradas de seu coração ecoavam das paredes invisíveis. Na mesma fluidez e insegurança que havia dado os passos ele levantou o braço e girou a maçaneta. Antes mesmo que ele pudesse empurra-la a porta se escancarou com vida e uma luz branca ofuscante iluminou todo o corredor cegando temporariamente o menino. Quando ele voltou a ver não estava mais no corredor escuro, estava numa cama com lençóis brancos. Ao seu lado uma mulher acendia um cigarro. O menino não era mais um menino, era um homem.

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